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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

THE FLASH: Ascensão social da família Lula da Silva virou caso de Justiça

Durante 12 anos a ascensão social e o surgimento de uma nova classe média se tornaram marca registrada da gestão petista. Um olhar mais atento, no entanto, permite ver que nenhuma outra família é tão representativa desta ascensão quanto a própria família Lula da Silva.
Amparado em excelentes marqueteiros e economistas com estudos duvidosos, como os que definem a classe média como tendo uma renda deR$ 241 per capita, Lula pode dar vazão à sua excelente retórica de modo a tornar cada conquista social e econômica do país intimamente ligada à sua pessoa.
Do aumento das viagens de avião à compra da casa própria, tudo passou a se relacionar diretamente com o governo e como ele age. Exceto porém, se você for um membro da própria família de Lula. Neste caso, a ascensão e o sucesso profissional em nada se correlacionam com o presidente – mas sim com o mérito próprio. Como explicou Lula certa vez quando seu filho, ex-funcionário de um zoológico, recebeu um aporte de R$ 5 milhões de uma empresa de telefonia em sua empresa, sua cria é o que poderíamos chamar de “Ronaldinho dos negócios”.
A imagem sólida de agente transformador da realidade brasileira mantida por Lula ao deixar a presidência, fez com que qualquer desconfiança se tornasse algo menor. Suas atitudes fora da presidência, porém, tornaram-se suspeitas, chamando a atenção de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público. Ainda que nenhuma das acusações que pesem contra a família Lula da Silva tenham sido devidamente julgadas, as acusações em andamento são muitas. Abaixo listamos 5 enrascadas em que a família Lula da Silva se meteu ao longo desta meteórica ascensão.

FÁBIO LUIS LULA DA SILVA – LULINHA

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Fabio Luis Lula da Silva (Lulinha), filho mais velho do ex-presidente Lula e sua esposa Marisa Letícia, tornou-se nacionalmente conhecido ao ver a empresa na qual era sócio com amigos, a Gamecorp, se transformar num dos maiores sucessos do capitalismo nacional. Criada com um capital social de R$100 mil, a empresa logo atraiu o interesse de gigantes do setor de comunicação, como a antiga Telemar (atualmente Oi), que pagou R$ 5,2 milhões por uma parte minoritária da empresa.
Lulinha, que anteriormente havia trabalhado como monitor em um zoológico em São Paulo (graças à sua graduação em Ciências Biológicas), ganhando pouco mais de R$ 600 mensais, tornou-se com isso suspeito de tráfico de influência. O caso Gamecorp foi arquivado por falta de provas pelo Ministério Público em 2012, mas as façanhas empresariais do filho, cujo pai definiu como “o Ronaldinho dos negócios”, ainda geram atenção por parte do Ministério Público e da Polícia Federal.
Longe das teorias conspiratórias sobre o suposto patrimônio milionário do empresário (que é constantemente alvo de correntes de e-mail com supostos jatinhos, fazendas ou participações em empresas como a Friboi em seu nome), a realidade de Fábio Luís está muito mais ligada a um caso que tornou-se cotidiano do país, a operação Lava Jato. Segundo o lobysta Fernando Baiano, cuja delação premiada foi homologada recentemente pelo juiz Sergio Moro, Lulinha teria tido R$ 2 milhões em despesas pessoais pagas pelo próprio lobista. Para ter sua pena de prisão reduzida, Baiano ainda terá de comprovar suas acusações posteriormente. De pronto, os advogados de Lulinha negam que ele tenha recebido o valor.

LUIS CLAUDIO LULA DA SILVA

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Filho mais novo do ex-presidente Lula, Luís Claudio é outro dos irmãos a ostentar o título de empreendedor. Apesar de não tão bem sucedido quanto seu irmão mais velho, seus resultados ainda assim são bastante admiráveis. De auxiliar técnico nas categorias de base do São Paulo e do Palmeiras, Luis Claudio tornou-se um dos responsáveis por popularizar o futebol americano no Brasil.
Suas empresas, que vão da Touchdown Promoções (responsável pela organização de uma liga de futebol americano com 16 times brasileiros), a LFT (que atua na área de consultoria de marketing esportivo) e a Silva e Carraro (responsável por vender seguros de saúde para construtoras), tornaram-se alvo recentemente da Operação Zelotes, operação da Polícia Federal que desvenda um escândalo de corrupção ocorrido na Receita Federal, cujos resultados podem ser até 5 vezes maiores do que aqueles do conhecido “Petrolão”.
A acusação que pesa sobre as empresas de Luis Claudio, e que levou a Polícia Federal a revistá-las, assim como sua residência, é a de que a LFT Marketing Esportivo teria recebido R$ 1,5 milhão de um dos escritórios envolvidos no lobby da Medida Provisória 471, que estendeu os prazos de benefícios fiscais ao setor automotivo. Segundo a Polícia Federal, o pagamento dos valores ocorreu no mesmo período em que as empresas interessadas na renovação da Medida Provisória (notoriamente as montadores de automóveis), repassaram para os escritórios atuantes a remuneração pelos serviços prestados.

A NORA DESCONHECIDA DO EX-PRESIDENTE

BULMAI / ENTREVISTA
Outra delação de Fernando Baiano que promete gerar alvoroço envolve ninguém menos do que Eike Batista e sua empresa OSX, de construção naval. Baiano teria trabalhado para favorecer a empresa, hoje em recuperação judicial, a conseguir contratos com a Sete Brasil, uma companhia criada para construir e alugar navios sonda para a Petrobrás explorar o pré-sal.
A companhia de Eike, cujo estaleiro se encontra no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, teria buscado nos contratos com a Sete geração de receita adicional que mantivesse de pé o projeto, após o fracasso de sua companhia de petróleo, a OGX. Ao contrário de outras ocasiões em que ex-ministros do presidente Lula teriam agido para favorecer as empresas de Eike Batista, desta vez a acusação do lobista dá a entender que o próprio ex-presidente teria participado de reuniões para favorecer as empresas.
Baiano alega que em certo momento, o próprio Lula ajudou a intermediar os contatos. A acusação que pesa sobre a nora do ex-presidente, porém, é a de que um amigo próximo de Lula, José Carlos Bumlai (foto acima), teria pedido pagamentos de R$ 1,5 milhão em nome da nora do ex-presidente. O pecuarista, conhecido de Lula desde 2002, teria sido chamado por Baiano para ajudar a intermediar o acordo entre a OSX e a Sete.
O Instituto Lula nega que o ex-presidente tenha autorizado qualquer captação de recursos em seu nome, e o pecuarista, declarou que “não é tão amigo de Lula como dizem”. Amigo ou não, o nome de Bumlai aparece em outras delações da Operação Lava Jato onde, especula-se, teria levado 0,1% do valor da obra na Usina de Belo Monte.

O SOBRINHO DE LULA

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Prova maior de que o empreendedorismo ronda a família Silva, Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da ex-mulher do presidente Lula, se tornou conhecido após apuração por parte da CPI do BNDES de seu sucesso empresarial em Angola. Taiguara era sócio de uma empresa responsável por reformar fachadas em troca de vidro de fachadas. Morava em um apartamento de quarto e sala, até decidir mudar-se para Angola, onde foi apresentado ao presidente da portuguesa Exergia.
Taiguara tornou-se sócio minoritário da Exergia Brasil, por meio de um investimento de R$ 2,5 milhões, e conseguiu seu primeiro grande contrato em 2011, justamente para a Odebrecht, a empreiteira brasileira responsável por mais de 70% dos financiamentos do BNDES no exterior. A Exergia Brasil deveria prestar serviços nas obras da hidrelétrica de Cambambte.
O acordo chamou a atenção dada a falta de expertise do empresário na área. Da reforma de fachadas em Santos à construção de casas pré-moldadas, Taiguara saltou para ajudar na reforma de uma hidrelétrica. A hidrelétrica em Angola é uma das mais de 3.000 obras no exterior financiadas pelo BNDES, com financiamento concedido justamente em 2011, fato que levou o empresário a ser investigado pela CPI que apura a atuação do banco de fomento do governo federal.
De um quarto e sala a uma cobertura de 255m² em Santos, Taiguara é mais um dos brasileiros que vivenciaram a tão sonhada ascensão social. O tempo decorrido entre a fundação da Exergia e um contrato de nada menos do que R$ 6 milhões, foi de 2 anos.

LUIS INÁCIO LULA DA SILVA

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Assim como ocorreu com seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, Lula vem sofrendo acusações distintas sobre o que se convencionou chamar genericamente de tráfico de influência, a capacidade de se utilizar de uma posição privilegiada para garantir a obtenção de contratos que favorecem empresas.
As acusações não são novidade no mundo da política. De George W. Bush ao ex-primeiro ministro português José Socrates, muitos já foram acusados desta prática (Socrates foi inclusive preso por sua atuação junto a uma farmacêutica suíça que obteve contratos em inúmeros países como o Brasil). Usualmente os ex-presidentes veem em si mesmos a tarefa de escolher uma causa que valha seu status. No Brasil, onde 3 dos últimos 5 ex-presidentes preferiram manter-se na política, temos Fernando Henrique, que escolheu militar em favor do fim da guerra às drogas, e Lula, que segundo ele próprio, decidiu buscar favorecer empresas brasileiras no exterior.
A ideia de que Lula busca apoiar a expansão do comércio brasileiro no exterior possui alguns poréns. O maior deles é sua própria atuação como presidente, que em momento algum aproximou o Brasil da realização de grandes acordos comerciais bilaterais. De fato, o Brasil de Lula apenas firmou acordos com Israel, Palestina e Egito; nada mais. Outra questão que desperta questionamentos está no fato de que 7 em cada 10 reais emprestados pelo BNDES para obras no exterior destinam-se a uma única empresa: a empresa da qual Lula se diz um “colaborador” em nome do comércio brasileiro. Em resumo, Lula apoia as empresas brasileiras – algumas apenas mais do que outras.
Na outra ponta, a Odebrecht parece extremamente interessada em ouvir o que Lula tem a dizer, a ponto de lhe pagar R$ 13 mil por minuto palestrado. Pelas palestras, Lula teria apurado uma renda superior a R$ 27 milhões entre 2011 e 2014, segundo aponto o Ministério Público, sendo R$ 2,8 milhões apenas da Odebrecht, que o contratou para dar 10 palestras.
Segundo denúncias da revista Época, que está sendo processada por Lula, o ex-presidente teria colaborado com a Odebrecht e o governo cubano para garantir a realização de contratos, como no Porto de Mariel. Conforme apurou a revista, Cuba teria dado como garantia aos empréstimos sua “renda oriunda da exportação de Tabaco”. Além desta inusitada questão, os contratos constam ainda cláusulas favoráveis em relação a juros e prazos de pagamento.
Tal confusão levou o ex-presidente a prestar depoimento no Ministério Público Federal de forma voluntária, em uma tentativa de mostrar-se tranquilo na manutenção de sua biografia como o ex-torneiro mecânico e hoje multimilionário empreendedor.

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