Chega mais: a fotografia de vida selvagem bem de perto
Ouriço-cacheiro fotografado com uma lente 24mm produzida na Estação Ambiental de Volta Grande para projeto da UFOP – Foto: João Marcos Rosa
“Se suas fotos ainda não estão boas o suficiente é porque você ainda não está perto o suficiente”, dizia o lendário fotógrafo da Agência Magnum, Robert Capa. Essa proximidade, que no caso se referia as cinco guerras que cobriu, se instaura cada dia mais na fotografia de vida selvagem. E National Geographic, sempre na vanguarda, já há tempos busca imagens intimistas que coloquem os leitores cara a cara com os animais retratados.
Jararaca-ihôa fotografada com uma lente 24mm na Ilha Queimada Grande – Foto: João Marcos Rosa
Me arrisco a dizer que essa proximidade é hoje uma necessidade de sentir de forma quase tátil as imagens. Fotos produzidas com teleobjetivas, trazem retratos com a espécie comprimida em distintos planos e com o fundo desfocado, o que traz detalhes do animal, mas o isola de seu ambiente. Claro que para algumas espécies essa é a única forma de registrá-las e mostrar seus comportamentos, por isso essas imagens seguem compondo boa parte das histórias, mas fotos que retratam os animais como se o leitor estivesse ali presente, fazem cada vez mais parte desses ensaios.
Araras-azuis-de-lear fotografadas na Estação Biológica de Canudos, com uma lente 17mm e com disparo feito com controle remoto – Foto: João Marcos Rosa
Essa ferramenta é muito útil mas tem diversas limitações, sendo a principal delas a ausência do fotógrafo na cena. Assim, é preciso contar com uma imensa boa vontade do bicho retratado e uma boa pitada de sorte.
Capivaras no Museu de Arte da Pampulha, fotografadas com uma lente 17mm – Foto: João Marcos Rosa
Outras maneiras de se chegar a esses retratos é com o uso do controle remoto. Instalamos uma câmera em um local onde haja a possibilidade de o animal passar, ou próxima a uma toca ou ninho, respeitando os limites impostos pela espécie, e monitoramos. Se o bicho cruzar o quadro, o fotógrafo dispara o controle. Essa ferramenta já proporciona um pouco mais de controle sobre a situação.
Filhote de harpia na Floresta Nacional de Carajás fotografado com uma lente 17mm e com uso de controle remoto e monitor. – Foto: João Marcos Rosa
O resultado dessas técnicas são imagens que fazem com que o leitor se sinta dentro do ambiente daquele animal, ao seu lado. Uma sensação de intimidade que pode trazer ainda mais emoção para o desfrute de uma grande reportagem. Como diria Rita Lee: Chega mais.
Ariranha fotografada de dentro da voadeira com uma lente 24mm – Foto: João Marcos Rosa