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domingo, 27 de novembro de 2016

Como era Cuba antes da Revolução?

September 1958:  American cars parked in front of President Batista's palace at Havana.  (Photo by Central Press/Getty Images)
Imagine um país latino americano no meio do século vinte, com uma taxa de alfabetização de 76%, uma renda per capita maior que a de diversos países europeus, como a Itália, uma capital com mais salas de cinema que Nova York, um número impressionante de estações de rádio (160), aliado a uma taxa de penetração do rádio próxima dos 90% e o 5º maior número de televisões per capita do mundo.
Não, não estamos falando de nenhuma potência atual ou de alguma nação com uma das maiores rendas per capita do planeta. Esta é – ou melhor, era – Cuba durante a década de 1950, antes da revolução castrista.
Ao primeiro olhar, pode parecer que o governo socialista acabou com tudo isso. Mas a realidade é um pouco diferente: na verdade, eles mantiveram muitos desses recordes (o número de salas de cinema, por exemplo, tem se mantido estável de lá pra cá).
Por outro lado, o mundo mudou muito de 1950 pra cá. A renda da Itália cresceu. Nova York ganhou mais cinemas. O número de estações de rádios ao redor do mundo explodiu. Igualmente o de emissoras de televisão. Mas Cuba não evoluiu na mesma velocidade.
Em 1958, a renda per capita média de um cubano era o equivalente a 11.300 dólares anuais, em valores atualizados. Para efeito de comparação, a renda média de um britânico na mesma época equivaleria a 11.800 dólares atuais.
Mas em 1959, algo aconteceu em Cuba: a Revolução. Com armas nas mãos, Fidel Castro, Che Guevara, Raúl Castro e outros tantos revolucionários depuseram Fulgencio Batista e instauraram um governo socialista na ilha.
Hoje, porém, 65 anos depois, Cuba tem muito pouco para comemorar. Sua renda caiu. Seu número de rádios já não é mais tão relevante assim (o próprio rádio, outrora tão importante para a identidade cultural da ilha, já perdeu o brilho). As televisões per capita sequer são lembradas. Embora certamente a taxa de alfabetização (atualmente em 99,8%) ainda seja um bom número. Mas é importante destacar que não é a maior do mundo e que essas taxas também estão presentes em nações com modelos econômicos muito distintos, como o Azerbaidjão, a Letônia e a Estônia.
É possível perceber como Cuba avançou nos últimos 65 anos. Sim, em termos nominais. Em comparação com 1950, sua renda já mais que duplicou – os 9.421 dólares se transformaram em 19.379.
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Gráfico via Gapminder.org
Mas Cuba não está sozinha no mundo.
Seu avanço, quando comparado com o de outros países é medíocre. Se em 1949, sua renda aproximava-se da do Reino Unido e da Itália, hoje mal encosta nesses países. Já outros, como Hong Kong e Coreia do Sul, que hoje apresentam índices elevadíssimos de renda, estavam muito distantes do padrão de vida cubano nessa época.
O crescimento de Cuba nos últimos anos chega a ser pior que o de países africanos, como Botswana, que saiu de uma renda inferior aos mil dólares anuais, para quase 15 mil no mesmo período. Apesar de não ter ultrapassado Cuba, o crescimento de Botswana é notável no gráfico abaixo.
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Cuba em amarelo. Gráfico via Gapminder.org
A vida de um cubano da era pré-castro talvez não fosse a melhor do mundo. Em relação às potências da época, o país ainda tinha diversos atrasos, tirando alguns dados que realmente poderiam ser descritos como “de primeiro mundo”. Desigualdade, racismo e corrupção eram problemas evidentes na sociedade cubana. O Estado também era repressivo com opositores e censura tornou-se algo relativamente comum no governo de Fulgencio Batista, último presidente pré-castrista. Por outro lado, não foi com a Revolução que tudo isso acabou.
A desigualdade inexiste no país somente no papel. Membros da elite possuem acesso a carros importados e outros luxos, enquanto cidadãos com altos cargos dentro do governo conseguem roubar bens e até dinheiro do Estado, além de serem constantemente subornados por outros cidadãos em troca de favores ou um pequeno poder – prática conhecida como “sociolismo” em Cuba. O mesmo se aplica aos moradores com parentes e amigos no exterior, de quem podem conseguir bens “raros” para o padrão de vida da ilha e revendê-los nos abundantes mercados negros.
E com essas desigualdades, promovidas principalmente pela centralização da economia, se perpetuou o racismo. Como os brancos já eram mais ricos no período anterior à revolução, continuaram ocupando melhores cargos e residindo em casas melhores que os negros. Após a permissão do governo cubano para a existência de pequenos negócios pré-definidos na ilha, a situação se agravou, já que os brancos continuaram morando nas melhores casas, que hoje servem como pequenos hotéis e geram renda para essas famílias – enquanto os negros são relegados à maioria dos empregos estatais e ao socialismo forçado.
E se o governo não conseguiu desenvolver avanços significativos nas áreas mais comprometidas pela revolução, as que foram esquecidas tiveram avanço nulo ou presenciaram um retrocesso.
Ainda em 1958, um ano antes da revolução terminar, Cuba tinha a segunda maior taxa de carros per capita da América Latina – eram 24 veículos para cada mil habitantes -, atrás somente da Venezuela. Mas, após 30 anos de socialismo, esse número sofreu uma pequena redução. Enquanto em todos os outros países da região houve um aumento significativo no acesso à veículos pela população, as estatísticas atuais mostram que hoje o país possui uma taxa de 38 veículos para cada mil habitantes – a mesma taxa de Angola e do Tajiquistão.
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Outras estatísticas também continuaram praticamente inalteradas após a revolução.
Dados de 1959 mostram que o país tinha uma taxa de 2,6 telefones para 100 habitantes. Era a maior taxa de toda América Latina. Dados coletados em 1995 mostraram, no entanto, uma taxa de 3 linhas para cada 100 – o 16º pior resultado entre os 20 países latinos.
O cubano de 1950 também era bem educado. Além da alta taxa de alfabetização, os moradores de Cuba tinham acesso a um imenso número de jornais: cerca de 70 publicações circulavam pela ilha. A tiragem total desses periódicos era tão alta que pode ser contabilizada em termos de mil habitantes, totalizando cerca de 101 exemplares para cada mil cubanos, comprovando a existência de um amplo mercado de jornais no país.
A medicina e o acesso à saúde também eram avançados e ao que tudo indica, as tão alardeadas condições de saúde que atualmente existem no país só foram possíveis graças aos avanços realizados antes do governo castrista.
Com uma taxa de mortalidade infantil de 3,76, Cuba figurava como o país latino com as melhores condições de saúde para as crianças. A mortalidade anual também era uma da menores do mundo: cerca de 5,8 mortes anuais por mil habitantes, número melhor que o registrado nos Estados Unidos (9,5) e no Canadá (7,6) no mesmo período. Existiam 190 habitantes para cada cama de hospital, um número um tanto à frente da média dos países desenvolvidos (cujo índice situava em torno de 200 habitantes por cama). O número de médicos também era expressivo: existia um médico por 980 pessoas, uma taxa que na América Latina só perdia para a Argentina.
Se o salário atual de um cubano mal consegue custear coisas tidas como baratas em outros países, como o acesso a uma lan house – o salário médio de um cubano é suficiente para pagar somente 4 horas de acesso –, é interessante notar que o país já teve um dos maiores salários do mundo.
Ainda em 1958, o salário pago na indústria do país girava em torno dos 6 dólares por hora. Era o mesmo valor pago aos trabalhadores noruegueses e dinamarqueses. De fato, Cuba tinha o 8º maior salário industrial do mundo. Nas fazendas, o pagamento era de US$ 3 por hora, o 7º maior do mundo. E mesmo antes do socialismo, existia pleno emprego: os cubanos desempregados somavam somente 7% da população, a menor taxa de desocupação da América Latina. Porém, um pleno emprego sustentável e produtivo.

O embargo e o colapso da indústria

Mas você deve estar pensando: e o embargo? A pergunta deve ser outra: até que ponto o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos (e que, finalmente, começa a chegar ao fim) impede o avanço econômico de Cuba?
Primeiramente, é preciso entender o que de fato foi o embargo.
Tudo começou em 1960, quando o presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, impôs um bloqueio ao comércio com ilha, após alguns atritos entre refinarias norte-americanas e o governo revolucionário. O bloqueio de Eisenhower, no entanto, excluía alimentos e insumos médicos.
Porém, em 1961, após o governo cubano declarar-se marxista e alinhar-se com a União Soviética, o congresso norte-americano aprovou uma lei, que mais tarde seria usada pelo presidente John Kennedy, para enfim, impedir todo tipo de comércio ou contrato comercial com a ilha.
Fruto principalmente de pressões corporativistas – reza a lenda que Kennedy, um grande apreciador dos charutos cubanos, não queria, num primeiro momento, proibir a importação do produto, mas entrou em atrito com fabricantes americanos –, o embargo trouxe sim, diversas consequências negativas para a ilha. Mas não é o único culpado pelos problemas no país.
Ao contrário do que muita gente pensa, o embargo não proibiu o pequeno país caribenho de comercializar com o resto do mundo. Apesar de constar nas mais de seis leis que mantém o bloqueio comercial a permissão aos Estados Unidos para atacar ou impor sanções à países aliados que resolvam realizar comércio com os Castro, na realidade isso nunca de fato ocorreu.
Diversos países negociam livremente com Cuba, incluindo… os Estados Unidos!
Atualmente, cerca de 80% da comida distribuída pelo governo no país é importada, já que a falida indústria e a agricultura coletivizada no país não são capazes de produzirem alimentos suficientes para a população.
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O comércio exterior também é aquecido: só em 2009, o país registrou US$ 10 bilhões em importações e exportou mais de US$ 3 bilhões. Seus principais parceiros comerciais são Venezuela, China, Espanha, Canadá, Estados Unidos e Brasil.
Desde 2000, os Estados Unidos permitem que fazendeiros comercializem com a ilha caso o pagamento seja feito adiantado e em espécie. Desde então, o comércio entre os dois países só cresceu: até 2007, a terra do tio Sam mal aparecia na lista de importações, mas hoje já está entre os 5 maiores parceiros comerciais cubanos.
De suas exportações, cerca de 48% são alimentos. E isso é o ponto central que ajuda a entender porque o país tem se desempenhado tão mal no comércio internacional e porque tudo parece ter parado nos anos 50. Desde que o socialismo avançou de fato no país, a indústria foi sucateada. 25% do dinheiro que hoje Cuba ganha no comércio internacional vem da exportação de açúcar, uma das indústrias que mais se deterioraram nas últimas décadas.
Em meados de 1950, a produção diária de cana-de-açúcar no país era equivalente a 507 mil toneladas. Com toda essa cana, Cuba conseguia produzir mais de 5 milhões de toneladas de açúcar todos os anos. Mas a produção foi se estagnando. A nacionalização das indústrias não foi capaz de atrair o mesmo número de investimentos anteriormente alcançados. Hoje, Cuba produz em torno de 1 a 1,5 milhão de toneladas de açúcar anualmente. Um número incomparavelmente menor.
O governo até tentou mudar o cenário, expandindo a mineração de níquel, cobre, ferro, magnésio e zinco, embora os esforços não geraram muitos resultados. Apenas o níquel se destacou, mas com a queda do preço da commodity, sua importância para o comércio exterior reduziu e o açúcar tomou de volta a primeira posição.
Se 80% do que os cubanos põem à mesa tem origem no exterior, isso deve-se à baixíssima mecanização da agricultura do país. Tirando algumas poucas refinarias de açúcar, praticamente todo alimento produzido em Cuba é feito com trabalho manual. A pouca mecanização, é claro, afeta também as exportações e a pouca cana-de-açúcar que o país hoje exporta é vendida a preços pouco competitivos.
Para finalizar, as usinas cubanas estão numa situação desoladora. Desde o colapso da União Soviética, Cuba não conseguiu continuar as reformas estruturais e as manutenções adequadas em suas usinas, que começaram a parar de funcionar. Os problemas atingiram seus níveis mais alarmantes em 2004, quando a falta de manutenção e problemas ambientais levaram as usinas a paralisarem por diversas horas. Em Havana, houveram blackouts que chegaram a durar 6 horas. Outras regiões chegaram a ficar 12 horas interruptas no escuro e mais de 118 fábricas foram paralisadas. Até hoje, a baixa capacidade do sistema de energia cubano tem gerado prejuízos para a escassa produção industrial do país.
Com seus tijolos corroídos pelo tempo – e pelo socialismo –, hoje os muros de Havana contam várias histórias. Certamente não são as mesmas do muro de Berlim, mas já viram de perto como o planejamento central pode transformar um dos países mais proeminentes de um continente numa imensa ilha de estagnação, onde até mesmo seus últimos e escassos números positivos, mantidos com toda a cautela, resistem à falta de dinamização.
Enquanto a atual corrente não for quebrada, o retrato de Cuba provavelmente será o de um país que forçadamente parou na década de 50, e que, cada dia mais, parece retroceder. A triste notícia para seu povo é que, infelizmente, as leis da economia continuarão valendo sob o socialismo e sem eletricidade, sem mecanização e sem investimentos, não haverá embargo ou desembargo que possa mudar sua desoladora situação.
Spotniks
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