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quinta-feira, 4 de junho de 2015

A MESMA COISA SEMPRE: Estratégia de Blatter para sua sucessão na Fifa seria lançar Jérôme Valcke

Joseph Blatter - FifaJoseph Blatter não renunciou de imediato, somente avisou que desistirá do mandato no fim do ano. Até divulgou nesta quinta-feira uma foto em seu gabinete na entidade, dizendo estar trabalhando duro nas reformas que prometeu. Jérôme Valcke, apesar de todas as denúncias, não foi demitido, somente foi retirado de cena. E tudo isso tem um motivo. A estratégia do ainda presidente da Fifa seria colocar o seu secretário-geral, no momento a única pessoa em quem de fato confia na entidade, como candidato para a eleição que ocorrerá entre dezembro deste ano e março de 2016. A ideia é que Valcke toque o barco pelo menos por dois mandatos, prazo que Blatter pretende sugerir como limite na prometida reforma institucional conduzida por Domenico Scala, presidente do Comitê de Auditoria e Conformidade da Fifa.

A informação veio de pessoas que participaram da organização da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e que garantem que Valcke terá apoio maciço do continente, bem como de boa parte da AFC (Ásia), da Conmebol (América do Sul) e Concacaf (América do Norte e Central) - justamente a base aliada de Blatter. Ele seria o único capaz de manter o atual "status quo". É o aliado que conhece a forma de operar da entidade, tem excelentes relações com muitas federações nacionais, e é em quem essas federações confiam que não deixará mudar o atual sistema que vem sendo colocado em xeque pela mídia e autoridades internacionais.

Apesar de toda a mídia negativa que essa escolha pode gerar, há três motivos principais para a estratégia: Valcke sabe os segredos de Blatter, e vice-versa; qualquer outro nome que assumir possivelmente abrirá as portas para as autoridades americanas, como forma de tentar começar do zero; e qualquer outro nome que não seja o do número dois na hierarquia atual da entidade colocará em risco a realização dos Mundiais na Rússia e no Catar. Este último ponto é uma séria ameaça aos dois dirigentes, pois fatalmente transformaria esses dois países em novos inimigos e provavelmente iniciaria uma nova rodada de escândalos com o vazamento de documentos mostrando a possível compra de votos que é investigada por americanos, suíços e até australianos. 

Um indicativo claro da força de Valcke e de sua relação de cumplicidade com Blatter é o escândalo envolvendo a troca de patrocinadores da Copa do Mundo - saiu a Mastercard, entrou a Visa, que fica "pelo menos até 2022", por coincidência. Afastado em dezembro de 2006 do cargo de diretor de marketing, que ocupava desde 2002, o francês retornou meses depois como secretário-geral.

A Mastercard levou o caso aos tribunais e obteve da Fifa uma indenização de US$ 90 milhões. Valcke teria mentido às duas empresas nas negociações e foi afastado ao lado de outros três funcionários. Mas voltou, e com mais força. Vale lembrar que, em fevereiro de 2007, ainda fora da Fifa, Valcke passou a prestar serviços de consultoria à CBF na montagem do projeto para que o Brasil fosse sede da Copa de 2014. A relação é próxima. Sebastién Valcke, filho do secretário-geral da Fifa, trabalha na entidade brasileira.  

A única ameaça real entre os possíveis candidatos é o também francês Michel Platini, mandatário da Uefa, e que tem apoio em bloco dos europeus - à exceção da Rússia e possivelmente mais um ou dois países. Só que isso significa que tem em torno de 50 votos entre os 209 possíveis. Considerando mais algumas dissidências, como os Estados Unidos e o Canadá na Concacaf, e o Chile, na Conmebol, teria, em ordem de grandeza, a mesma quantidade de votos que o príncipe Ali bin Al-Hussein, da Jordânia, obteve na eleição da última semana. Suficiente para fazer barulho, mas não para mudar a estrutura da entidade e expor seus segredos mais protegidos. 

Uma pessoa, porém, pode destruir os planos de Joseph Blatter: o ex-presidente da Concacaf e ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner. Ele afirmou em pronunciamento nesta quinta-feira que teme por sua vida, mas sabe porque Blatter desistiu do mandato - e não pretende ficar calado. De acordo com fontes ligadas à entidade, no dia do seu pronunciamento que surpreendeu o mundo da bola, Blatter teria sido avisado de que as investigações americanas estavam fechando o cerco sobre ele e, se não houvesse uma transição em andamento, os danos à Fifa como instituição, e não apenas aos seus dirigentes, poderiam ser irreparáveis. Resta agora saber o calibre da munição que Warner tem contra Blatter e Valcke e até aonde está disposto a ir para amenizar as acusações que pesam contra ele.

Errata: ao contrário do que foi informado inicialmente, a indenização paga pela Fifa à Mastercard foi de US$ 90 milhões e não de US$ 60 milhões.

BASTIDORES FC



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