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sábado, 6 de dezembro de 2014

Planilha de Youssef tem nome da Sergas: "O que acontecia na Petrobras ocorre no Brasil inteiro"

Justiça encontra lista de Alberto Youssef que cita 750 obras públicas

Doleiro preso é suspeito de comandar esquema ilícito de mais de R$ 10 bi.
Para investigação, lista reforça versão de que esquema se espalha no país.

Do G1, em Brasília, com informações do Jornal Nacional
Decisão do juiz Sérgio Moro aponta que planilha encontrada com o doleiro Alberto Youssef lista 750 obras públicas que somam quase R$ 12 bilhões, segundo reportagem do Jornal Nacional. O documento pode representar indício de que crimes de corrupção e propina atingem outros setores e empresas públicas, além da Petrobras.

No documento que cita a lista apreendida com o doleiro preso, Sérgio Moro afirma que, “embora a investigação deva ser aprofundada quanto a este fato, é perturbadora a apreensão desta tabela nas mãos de Alberto Youssef”. Segundo ele, a lista sugere que “o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e propina vai muito além” da estatal.
O Jornal Nacional teve acesso à tabela apreendida com o doleiro. Segundo investigadores, trata-se de um controle organizado, que descreve construtoras como clientes. Algumas dessas empresas já são investigadas e têm executivos presos. A tabela também dá detalhes sobre cada obra e valor.
O juiz Sérgio Moro afirma que ainda é cedo para dizer que houve pagamento de propina nas 750 obras que estão na lista. Mas investigadores ressaltam que a planilha reforça a versão dada por Paulo Roberto Costa à Justiça e à CPI de que o que acontecia na Petrobras ocorre no Brasil inteiro. O documento está orientando novas apurações sobre a dimensão do esquema.
Obras citadas
A tabela descreve, por exemplo, um pedido de cotação para o gasoduto Ceará-Piauí-Maranhão, com proposta enviada, segundo o documento, em março de 2010. O valor é de mais de R$ 1 bilhão. A planilha também cita como cliente a UTC Engenharia, empresa do diretor Ricardo Pessoa, que está preso e é apontado como o chefe do chamado “clube de empreiteiras” que pagava propina para ter contratos com a Petrobras. A empresa não respondeu às ligações da reportagem.

A Petrobras Netherlands, braço da Petrobras na Holanda, aparece 12 vezes nessa lista. Segundo o documento, são módulos para as plataformas P-58 e P-62. A Petrobras não quis comentar a denúncia.

O controle encontrado com o doleiro cita, ainda, obras públicas em outros países como Argentina, Uruguai, Equador, Colômbia e Angola. No caso da Argentina, há três citações de concorrência internacional do gasoduto córdoba. Segundo o documento, em uma delas há a inscrição “financiamento do BNDES”, com o valor de R$ 60 milhões em 2008. O BNDES informou que não financiou a obra na Argentina que foi citada na planilha.

Neste último caso, a cliente colocada na tabela é a construtora OAS, investigada na Lava Jato com executivos presos. A OAS não respondeu às ligações da reportagem. O documento descreve também, serviços diversos para prefeituras, governos estaduais e federa, além de empreiteiras. É um apanhado de obras que inclui, além de gasodutos, refinarias, mineração, aeroportos e portos.

A lista inclui até o Porto de Mariel, em Cuba. A planilha traz valor de R$ 3,6 milhões. O cliente, segundo o doleiro, é a Olex, a Odebrecht Logística e Exportações. A Odebrecht é a responsável pela obra pública no porto de Mariel, em Cuba. A Odebrecht afirmou que não fez qualquer pagamento a Alberto Youssef para conseguir obras no Brasil ou no exterior.
Além disso, projetos da Transpetro são citados diversas vezes. Paulo Roberto Costa afirmou à Justiça Federal que recebeu R$ 500 mil em propina das mãos do presidente licenciado da subsidiária da Petrobras, Sergio Machado.
A Transpetro declarou que não tem intermediários na realização de nenhum contrato. Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, negou as acusações de pagamento de propina. Nesta sexta-feira (5), o Conselho Administrativo da empresa aprovou pedido de prorrogação da licença dele.

Na semana que vem, o Ministério Público Federal deve oferecer as primeiras denúncias contra os executivos de empreiteiras. Os procuradores vão trabalhar durante o fim de semana para acelerar essa etapa. O passo seguinte é a Justiça decidir se os executivos vão virar réus.
VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)

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